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O PROFESSOR LGBT NA ATUALIDADE

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Rafael Diogo Borges
é Professor e coordenador do Coletivo de militância LGBTQIA+ (R) EXISTÊNCIA, formado em Letras e Artes Visuais.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), no interior de São Paulo, revela que 42% dos educadores homossexuais sofrem preconceito dentro das salas de aula e que, de forma geral, não sabem reagir apropriadamente diante das agressões no ambiente escolar.

Desde 1997, os Parâmetros Curriculares Nacionais tratam da necessidade da educação sexual, o que inclui, entre outros debates, discussões sobre orientação sexual e identidade de gênero em sala de aula. A ideia é que os temas sejam abordados de forma transversal, em diversas disciplinas durante a educação básica, sempre de forma adequada ao período de desenvolvimento e à idade dos alunos.

 Mais recentemente, no entanto, termos como gênero e orientação sexual foram suprimidos da Base Nacional Comum Curricular e diversos projetos de lei apresentados nas câmaras legislativas e no Congresso têm como objetivo excluir o tema por completo do universo escolar em um movimento que vai à contramão da aceitação da diversidade.

O medo de perder o emprego é comum entre os profissionais da comunidade LGBT. Uma sombra que, por vezes, já os fez esconder a homossexualidade e, mesmo hoje, após decidirem que não iriam negar quem são, os fazem agir com cautela.

Imaginar um homossexual docente, sério e responsável foge do padrão que foram criando dentro da escola. Este é um processo que por muito tempo vem sendo travado na comunidade escolar visto que a afirmação da identidade traça uma visão preconceituosa e deturpada desses profissionais.

Neste caso, para um professor que já é homossexual assumido em seu ambiente de trabalho, talvez se torne mais fácil à convivência, entretanto quando se assume posteriormente, as relações podem sofrer modificações. Entretanto, pode ser que haja um preconceito velado, neste caso porque o professor se comporta da maneira que é esperada pela sociedade e pelo ambiente escolar.

Podemos assim dizer que na escola se produz um ato silenciador no tocante à homossexualidade, tanto para com os professores que assim se assumem, como para os alunos, que precisariam de orientações na perspectiva de aceitação própria e aceitação do outro; percebemos ainda que ela é um espaço onde as posições e relações aparecem e acontecem de acordo com o perfil pedagógico.

Em suma podemos notar que, em diversos espaços sociais, os professores tendem a deixar explicitamente suas identidades, porém, dentro da comunidade escolar e em sala de aula, os professores tendem a não dar visibilidade a sua sexualidade. Pelo fato da escola pautar a heterossexualidade como norma e princípio. Sendo esses espaços responsáveis pelo desenvolvimento integral e social dos sujeitos, se transfigura como local de violência e repressão, pautando a homofobia, transfobia, bifobia, lesbofobia entre outros discursos de ódio para com os sujeitos que “fogem da norma reguladora.”.

O cotidiano escolar deve fazer nascer um espaço de menos desigualdade, potencializando a criticidade na vivência dos sujeitos, percebendo e compreendendo que as diferenças existem e reconhecer que através das dimensões da diversidade, porque ela é um recurso que enriquece o ambiente escolar, surjam indivíduos mais atuantes e que façam a diferença numa sociedade que ainda é carregada de preconceito e estigmas.

1 comentário em “O PROFESSOR LGBT NA ATUALIDADE”

  1. Parabéns Rafael por contribuir a causa LGBT, dando visibilidade aos profissionais em educação que sofrem os mais variados tipos de VIOLÊNCIA em seu local de trabalho devido sua orientação sexual, fruto de uma sociedade hipócrita, heteronormativa e reguladora de corpos!

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