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O FUNDAMENTALISMO NA SOCIEDADE

Petrônio Filho com textos do UOL Educação e Carta Capital

Ultimamente temos ouvido muito sobre o fundamentalismo religioso. Mas, o que seria o fundamentalismo?  O fundamentalismo geralmente está associado a ideias sectárias, inflexíveis, sobre determinado tema, sobretudo com relação à religião.

A expressão foi formalmente definida pela primeira vez, em 1920, por um pastor americano da Igreja Batista, chamado Curtis Lee Laws. Curtis Laws estava vinculado ao movimento protestante americano que era contrário ao segmento protestante liberal de fins do século XIX e pregava a necessidade de afirmação dos dogmas do protestantismo tradicional, como a infalibilidade das escrituras. O alvo principal eram as teorias científicas como a da evolução das espécies de Charles Darwin. 

O fundamentalismo religioso ou outro qualquer (político, econômico, científico, etc.) geralmente ganha adeptos quando as pessoas se encontram em situação caótica em termos econômicos, sentimentais, familiares, sociais e outros. O desespero e a revolta levam à busca de algo que dê conforto ou uma “luz” para suas adversidades. Neste caso, a religião é o meio mais procurado. Como a pessoa está em conflito com o status quo, tudo que contraria o modo social é, para ela, um tipo de conforto e de busca por outra situação. Assim, as ideologias mais radicais, principalmente as mais conservadoras que defendem uma determinada lógica moral, são aquelas mais procuradas. Aqui entram os fundamentalismos de todos os tipos. 

“Para os fundamentalistas, qualquer pessoa que pense ou se expresse de modo diferente ao por eles apregoados, passam a ser identificadas como inimigas ou, quando não, como alguém que exige um trabalho intenso de ‘conversão’. Daí uma dedução pode ser extraída: na medida em que a convivência com o diferente e o aprender com a experiência religiosa do outro não é admitida, o estímulo ao ódio está implantado, tendo como argumento fundante a pretensão de serem eles, os fundamentalistas, os donos da verdade”. (PROFESSOR WALDIR AUGUSTI PADRE TICÃO – Carta Capital – 14 DE JANEIRO DE 2020)

Esse tipo de ideologia provoca choques em uma sociedade democrática já que os fundamentalistas não aceitam o contrário às suas pregações. Os mais radicais apregoam a fundação de uma sociedade de pensamento único, como o caso do talibã no Oriente Médio ou o caso da Klu Klux Kan nos Estados Unidos, que defendia uma sociedade branca e perfeita. 

“… as pessoas envolvidas por tais propostas, não se enxergam, em sua maioria, como fascistas por não se enxergarem como tal. A elas, é transmitida a ideia de terem sido chamadas a serem defensoras das ‘leis de Deus e suas vontades’, as quais lhes são ‘ensinadas’ por religiosos detentores de uma oratória extremamente convincente e da realização de atos religiosos recheados de euforia e emoção”. (PROFESSOR WALDIR AUGUSTI PADRE TICÃO – Carta Capital – 14 DE JANEIRO DE 2020)

No caso do Brasil, as grandes desigualdades sociais, aliadas à crise política, tem levado boa parte da população a aderir aos ideais fundamentalistas religiosos e políticos nos últimos anos. A grande imprensa colaborou para isso ao demonizar os ideais e os partidos mais progressistas, como no caso das denúncias de corrupção. Isso levou os brasileiros elegerem um fundamentalista político, com ideais conservadores e antidemocráticos, na tentativa de ver um “messias” salvar a pátria. Com isso, o ódio político se alastrou, gerando grandes conflitos entre as pessoas e entre as instituições do poder político. 

O atual presidente não aceita críticas e ataca quem o contraria. Seus seguidores não enxergam suas posições radicais como prejuízo à sociedade, considerando-o “acima de quaisquer suspeita”. Isso é o fundamentalismo: “Estou certo. Outros estão errados!”. A falta de diálogo e do contraditório, que são bases de uma democracia, leva as pessoas a cometerem grandes erros porque não há possibilidade de correções. Assim, a sociedade sofre com as desídias de quem a governa. Como se diz, “A democracia não é perfeita, mas é o melhor sistema político que existe”. 

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