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BIDEN E O SINDICALISMO

BIDEN E O SINDICALISMO 1

Por Petrônio Filho

Podemos dizer que hoje o império estadunidense se compara ao império romano no mundo antigo europeu. Assistindo aos comentários sobre as eleições nos Estados Unidos, um dos comentaristas disse que sua mãe o questionou o porquê do mundo estar tão ligado àquelas eleições. O comentarista explicou a ela que os EUA tem influência sobre os rumos da economia e da política mundial.

Somos um país latino-americano. Portanto, sofremos grande influência dos ianques, como o governo de Getúlio Vargas que era pressionado para a não nacionalização das nossas empresas, notadamente e PETROBRÁS. A construção do golpe militar de 64 teve grande participação da CIA. Como toda potência, o governo estadunidense vê outros países, principalmente os mais próximos (América Latina) como seu “quintal”. Assim, podemos dizer que tem sim grande importância para nós as eleições daquele país.

Somos sindicalistas. Como tais, temos um conjunto ideológico voltado para o humanismo, para a defesa ambiental, para o pacifismo e por aí vai. Trump representa tudo de contrário a esses ideais. Retirou os EUA do Acordo de Paris, atacou a China e a Venezuela, deu apoio aos governos antidemocráticos, fez pouco do problema da Covid-19 e, por fim, acusa fraude nas eleições porque não admite ter perdido. Esse tipo de governante aumenta as tensões internacionais, agride o meio ambiente e dá amparo ao conservadorismo.

Joe Biden representa o contrário disso tudo. É claro que o imperialismo estadunidense vai continuar. Afinal, não há grandes diferenças entre democratas e republicanos. A diferença está no estilo de governar. Neste caso, Biden destoa de Trump. De cara, ganho as eleições, o democrata já propôs o diálogo como meio na busca de soluções para o mundo. Disse que sua primeira atitude após a posse será o retorno ao Acordo de Paris. Propôs a pacificação do seu país, governando para todos. Ressaltou mais uma vez a sua preocupação com o meio ambiente. Por tudo isso, como sindicalistas, ficamos felizes com a vitória de Biden. Vence o espírito democrático e pacificador. Vence o diálogo. O mundo agradece!

PROGRESSO X MEDIEVALISMOS

PROGRESSO X MEDIEVALISMOS 2

Por Petrônio Filho – Geógrafo e Bel. em Direito

Em pleno século XXI estamos passando por uma grande crise de paradigmas. Todas as lutas empreendidas pelas mulheres, jovens, professores, artistas e outros, durante os anos 60, 70 e 80 do século passado, em prol da igualdade de direitos, liberação feminina e sexual, contra costumes retrógrados e pela justiça social, estão sendo colocadas em xeque  por uma verdadeira onda conservadora disseminada por certas igrejas evangélicas e líderes políticos com ideais conservadores. Estamos em uma democracia! Portanto, todos tem o direito de expor suas ideologias.

Como educadores e sindicalistas, não podemos concordar com ideias retrógradas (porque tentam reavivar certos costumes) que podem nos fazer retornar a tempos em que se defendia a virgindade da mulher como prova de caráter, a sua submissão ao marido, perseguição a gays e outras discriminações. As pessoas e instituições que defendem esse retorno se apoiam em trechos do Antigo Testamento bíblico esquecendo que Jesus (Novo Testamento) repudiava todo tipo de discriminação e criticava os “sábios dos templos” por suas posições arcaicas (vide suas críticas aos fariseus).

O conservadorismo (desculpe a repetição, mas é necessária), como o próprio nome diz, impede o desenvolvimento social e cultural de um povo. Se agarra a certas tradições colonialistas que tanto prejudicaram milhões de pessoas pelo mundo afora, espalhado discriminações. Enxergam a ciência como “coisa do demônio”, como se as descobertas científicas não trouxessem uma grande melhoria de vida para as pessoas. Esse pensamento medieval é muito perigoso para o mundo. A questão ambiental, como o aquecimento global, são relegados a segundo plano, o que poderá causar grandes estragos para o planeta. O conservadorismo atravanca as lutas por uma sociedade mais justa, já que repudia os movimentos populares taxando-os de “comunistas” e “baderneiros”.

Nosso país tem lutando muito para superar os seus atrasos em todas as áreas. Certamente o mais prejudicial é a mentalidade tacanha de muitos brasileiros. Líderes políticos conservadores impedem o desenvolvimento da sociedade em geral, já que defendem posições contrárias às lutas sociais. A chamada “Bancada BBB” (bancada do boi, da Bíblia e da bala) vota contra todos os tipos de propostas que visem o avanço das causas sociais no Brasil. Justiça social para eles “é coisa de comunistas”! Igualdade de gênero e gays “são coisas do demônio”! Se isso tudo perdurar, anos de conquistas irão para o ralo das injustiças e o nosso país continuará como um dos mais desiguais do mundo. Estaremos fadados a recomeçar tudo novamente. Não desistiremos da luta por um país bem mais igual!

100 MIL MORTES: CADA VIDA É IMPORTANTE!

100 MIL MORTES: CADA VIDA É IMPORTANTE! 3

Cem mil mortos! Um número qualquer se fosse o resultado de uma guerra. Seria mais um número na história. Mas não estamos em guerra! Estamos sim em meio a uma grande pandemia. Ela é combatida, não com armas, mas com ciência. E como está a ciência brasileira? Infelizmente, relegada aos últimos planos do governo federal. Como que num passe de mágica, em uma máquina do tempo, retornamos ao período medieval onde os estudos científicos eram considerados coisa de bruxas ou de malucos. Sim, esta é a postura do nosso governo que faz desdém das orientações dos especialistas para o combate ao Covid 19. O descaso para com as mortalidades nos faz questionar o nível de sentimentos que um tem pelo outro.

Como educadores e humanitários, não podemos nos conformar com essa desídia por que passamos. A vida é o primeiro bastião de quaisquer atitudes a serem tomadas por quem quer que seja. Jamais ela pode ser relegada a um plano de desleixo e de ridicularização. Brincar com sentimentos alheio é ser muito irresponsável e insensível. 

Assim, reconhecendo a dor das pessoas, o SINTED é solidário a todas as famílias que perderam seus entes queridos nesta pandemia, principalmente às da nossa cidade. Temos a esperança de que os estudos científicos, como de outras vezes, conseguirão chegar a uma vacina que salvará milhões de vidas. Uma vida que se perde em meio a bilhões de pessoas pode ser apenas um número nas estatísticas, mas ela é muito importante para seus familiares, amigos e colegas. Toda vida é importante.

Pela vida de todos!

MERITOCRACIA É BOM?

MERITOCRACIA É BOM? 4

Segundo os estudos de psicologia, quando uma pessoa é recompensada pelo seu trabalho, seja qual for, ela tende a melhorar o seu desempenho. Com base nessa premissa, alguns estudiosos da educação propuseram o uso da meritocracia como forma de estimular os educadores a realizarem seu trabalho de forma mais produtiva. Também há os que defendem a concorrência como meio de estimular a produção. Assim, juntou-se a meritocracia à concorrência para serem efetivadas entre as escolas e entre os educadores.

A nossa Constituição, bem como o ideal de uma sociedade igualitária e justa, defende que a cooperação, e não a concorrência, deve ser uma das bases para a formação de um país igualmente desenvolvido. Como educadores, não podemos defender a disputa entre colegas e entre escolas. A cooperação mútua é que nos possibilitará o melhor processo de ensino-aprendizagem. Além disso, não se pode estabelecer a meritocracia e a concorrência em meio a tantas diferenças socioeconômicas entre nossos alunos e entre as escolas.

Certamente, não somos contra os estímulos. Eles poderiam vir na forma de abonos para os que se destacassem no seu trabalho pedagógico. Mas, o que realmente poderia dar melhores resultados no processo de ensino-aprendizagem seria a  melhor formação dos nossos educadores, uma grande reciclagem a nível de mestrado, a estruturação física das escolas, conteúdos mais alinhados com as realidades dos alunos, resolver a questão das indisciplinas e dar apoio aos pais na condução dos estudos de seus filhos.

A aprovação do FUNDEB de forma permanente poderá ser o fio da meada para a realização de todas essas realizações se for aplicado de forma eficiente. Aí sim, temos que promover as cobranças junto aos governos e órgãos competentes para a efetivação dessas metas. Após alcançar um patamar igualitário de eficiência em todas as escolas, poderemos falar em meritocracia. Ainda assim, ela deverá ser implantada como meio de estímulo e não de punição. Esta poderá ser feita por meio de observação do trabalho do educador, ou seja, se ele está cumprindo com as suas obrigações, dar apoio para suas ações educativas e, em último caso, utilizar das repreendas.  

Um país sério leva a sério seus cidadãos, e estes, necessitam de uma educação séria.

MARIA FIRMINA – A PRIMEIRA NEGRA ROMANCISTA

MARIA FIRMINA - A PRIMEIRA NEGRA ROMANCISTA 5

No dia 25 passado a BBC News trouxe uma reportagem sobre a primeira mulher negra romancista do Brasil. Trata-se de Maria Firmina dos Reis, que viveu entre 1822 e 1917, na cidade de Guimarães, no Maranhão. Segundo a reportagem, o retrato pintado da autora, presente na Câmara de Vereadores da cidade, era de uma mulher branca, que teria escrito o romance “Úrsula” em 1859. Diz a reportagem: 

“Em um busto esculpido em sua homenagem, hoje exposto na Praça do Pantheon, no centro de São Luís, pouco transparece da descrição feita por ex-alunos e conhecidos de Maria Firmina: uma mulher de rosto arredondado, cabelo crespo, grisalho, cortado curto e amarrado na altura da nuca, com nariz curto e grosso.”

Régia Agostinho, professora da UFMA, diz que o busto apresenta uma mulher de nariz afilado, lábios finos e cabelos liso amarrados em coque, uma descrição que nada lembra uma mulher negra. Firmina só foi redescoberta em 1962 por um historiador paraibano, Horácio de Almeida, que encontrou em um sebo no Rio de Janeiro uma edição de “Úrsula”, hoje considerado o primeiro livro brasileiro a se posicionar contra a escravidão. 


A escritora teria sido filha de uma escrava alforriada e pai negro. Ao ficar órfã foi morar com uma tia que tinha condições econômicas para dar estudo à sobrinha, caso raro na época para uma negra. Em 1847 Maria Firmina passou em um concurso público para lecionar em escola primária, onde se aposentou. Quando foi receber o título, negou-se a ser carregada por escravos como era o costume. Teria dito: “Negro não é animal para se andar montado nele”. 


Por 50 anos publicou suas obras em jornais maranhenses como contos, poesias e crônicas. Entre eles se destacam “Gupeva” (1861) e “A Escrava” (1867). Também fundou a primeira escola mista do Maranhão, com meninos e meninas. Morreu em 1917, aos 95 anos de idade, deixando 11 filhos adotivos.

O MÉTODO PAULO FREIRE NÃO FOI IMPLANTADO AQUI

O MÉTODO PAULO FREIRE NÃO FOI IMPLANTADO AQUI 6

Ultimamente, com o recrudescimento da extrema direita em nosso país, a discussão sobre o “Método Paulo Freire” de ensinar volta às discussões políticas-pedagógicas. Freire é acusado pelos extremistas da direita como um “comunista, idealista de jovens” e também de ter promovido a queda da qualidade do nosso ensino com suas teorias. Mediante tais acusações, resolvemos pesquisar sobre o assunto. Encontramos na revista “Nova Escola” uma matéria bem resumida sobre o tema e na Wikipédia (apesar das críticas sobre esta fonte de informações) um resumo do que é o Método Paulo Freire.

Diz a revista:

No Brasil, em 1960, Paulo Freire desenvolveu a metodologia de alfabetização que realizou, entre outros feitos, a possibilidade de alfabetizar 300 cortadores de cana no Rio Grande do Norte, em apenas 45 dias. Paulo Freire ficou conhecido, assim, pelo método de alfabetização para adultos que leva seu nome. Dessa forma, o pensamento pedagógico do educador sempre se assumiu como político, uma vez que seus estudos se concentravam nas classes sociais menos favorecidas e que, na época, não eram totalmente atendidas pelas escolas públicas.

Paulo Freire não está nos currículos das escolas públicas, mas, sim, como referência para aqueles que praticam pedagogia todos os dias. Algumas ONGs aplicam de fato o método freireano. É o caso do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), que existe há 35 anos como “instituição de aprendizagem”, como se autodenomina. “Não há e nunca houve incentivo governamental para a aplicação dos ensinamentos e princípios freireanos. Isso se deve à ação isolada e alguns educadores, professores e escolas”, explica Sebastião Rocha, diretor do CPCD.

O historiador Danilo Nakamura, mestre em História Econômica com enfoque em Educação, explica que a filosofia de Paulo Freire teve uma entrada muito forte nas redes públicas em dois momentos históricos do país. “Antes do golpe civil-militar de 1964, sua pedagogia estava associada ao projeto desenvolvimentista e as reformas de base do presidente João Goulart”, lembra, destacando também que, com o processo de redemocratização, Freire se tornou secretário da Educação da prefeitura de São Paulo. “Ele organizou um movimento importante de reorganização dos currículos, trazendo um debate sobre a visão de área de cada disciplina”, pontua.

Atualmente, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Infantil e Fundamental, aprovada no Conselho Nacional de Educação (CNE) e que está em fase de contribuição regional para finalização dos currículos no final do ano, já não cita Paulo Freire. A BNCC do Ensino Médio, com discussões ainda mais recentes, também não faz referência ao educador. O historiador Danilo Nakamura também pontua que, para ele, a pedagogia de Paulo Freire não propõe nenhum tipo de doutrinação, base de críticas de quem se opõe a seu trabalho. “Muito pelo contrário, Paulo Freire afirma que a pedagogia do oprimido é uma pedagogia que diz que devemos partir da própria ação e realidade dos menos favorecidos na atividade educativa”, explica.

Diz a Wikipédia sobre o Método Paulo Freire:

Etapas do método

1. Etapa de investigação: busca conjunta entre professor e aluno das palavras e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.

2. Etapa de tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e palavras.

3. Etapa de problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão mágica e acrítica do mundo, para uma postura conscientizada.

O método

• As palavras geradoras: o processo proposto por Paulo Freire inicia-se pelo levantamento do universo vocabular dos alunos. Através de conversas informais, o educador observa os vocábulos mais usados pelos alunos e a comunidade e, assim, seleciona as palavras que servirão de base para as lições. A quantidade de palavras geradoras pode variar entre 18 a 23 palavras, aproximadamente. Depois de composto o universo das palavras geradoras, elas são apresentadas em cartazes com imagens. Então, nos círculos de cultura, inicia-se uma discussão para dar-lhes significado dentro da realidade daquela turma.

• A silabação: uma vez identificadas, cada palavra geradora passa a ser estudada através da divisão silábica, semelhantemente ao método tradicional. Cada sílaba se desdobra em sua respectiva família silábica, com a mudança da vogal. Por exemplo: BA-BE-BI-BO-BU.

• As palavras novas: o passo seguinte é a formação de palavras novas. Usando as famílias silábicas agora conhecidas, o grupo forma palavras novas.

• A conscientização: um ponto fundamental do método é a discussão sobre os diversos temas surgidos a partir das palavras geradoras. Para Paulo Freire, alfabetizar não pode se restringir aos processos de codificação e decodificação. Dessa forma, o objetivo da alfabetização de adultos é promover a conscientização acerca dos problemas cotidianos, a compreensão do mundo e o conhecimento da realidade social.

Petrônio Filho – Dpto. Divulgação e Imprensa

O protagonismo LGBTI+ nas eleições 2020

O protagonismo LGBTI+ nas eleições 2020 7

Por: Rafael Diogo Borges
Professor. Performer. Pesquisador de gênero e sexualidade e
militante do Coletivo (R) Existência.

Democracia é, por definição, uma forma de governo em que o povo exerce soberania e onde não existem diferenças ou privilégios entre classes. Na prática, não é o que acontece – pelo menos não no Brasil. Entre os representantes eleitos pelo povo, um perfil majoritário: homens, brancos, heterossexuais e de classe média ou alta. Em estados ou cidades menores, onde persistem as tradições familiares na política, praticamente com rodízio de poucos sobrenomes no poder, a exclusão de alguns grupos é ainda mais notória.

2020 é o ano de escolher os futuros prefeitos e vereadores de cada município. Candidatos LGBTs já somam mais de 336 em todo país. As eleições são o meio que configura o encontro entre o movimento social (LGBTQIA+) e os partidos políticos. Apesar de poucas pessoas se importarem, é a linha seguida pelos futuros governantes que definirão grau de impacto que sua gestão terá em nossas vidas. Os vencedores das eleições irão legislar e executar projetos que podem ter influência direta em nosso cotidiano.

No que concerne à evolução do número de candidaturas “assumidamente LGBT”, é possível observar aumento expressivo no Brasil na última década. Se, em 2002, foram identificados apenas nove candidatos LGBTs nas eleições gerais (deputados, senadores, governadores e presidente), em 2010 este número aumentou para 20, representando incremento percentual de 122%. Em 2018, houve o maior recorde de candidaturas LGBTs; ao total foram computadas 160 candidaturas sendo que 08 foram eleitos, segundo dados divulgados pela Aliança Nacional LGBTI, apresentando um crescimento de 386% em relação ao último pleito.

Dentre os eleitos temos 03 mulheres trans/travestis: Erica Malunguinho (PSOL-SP), Erika Hilton (PSOL-SP) e Robeyonce (PSOL-PE); 03 gays: Fábio Félix (PSOL-DF), Jean Wyllis (PSOL-SP) e Fabiano Contarato (Rede- ES); 01 bissexual: Isa Penna (PSOL-SP) e 01 lésbica: Leci Brandão (PC do B – SP).

Afinal qual a importância de eleger LGBTs para os cargos de vereadores em 2020?

Vereadores propõem leis municipais que afetam a dinâmica das cidades e de seus moradores. Dessa forma, eles são responsáveis pela elaboração, discussão e votação de projetos de leis que incluem benfeitorias, obras e serviços em geral. Isso inclui também projetos que contemplam a proteção das chamadas minorias, grupo em que se incluem os LGBTQIA+.

Outra importância de eleger vereadores LGBTs é a possibilidade de afinar leis que venham do âmbito federal- tanto as aprovadas no Congresso Nacional quanto as que venham das assembleias estaduais. Leis aprovadas nessas duas esferas que coloquem a comunidade LGBTQIA+ em risco podem ser barradas e revertidas nos perímetros municipais.

O levamento feito pela Aliança Nacional LGBTI, o país registra 336 pré- candidatos LGBTI+ concorrendo a um cargo público municipal em 2020. Destes, 4 entram na disputa de prefeito/prefeita e 332 para o cargo de vereador/ vereadora. Entre os candidatos a vereadores, 318 são pessoas LGBTI+ e 18 são aliados da causa.

Mas, cuidado! Nem tudo que brilha é arco-íris. Antes de sair votando em todos os candidatos LGBTI+, é importante checar seu posicionamento em relação às causas da nossa comunidade. Temos como exemplo claro na cidade de São Paulo o vereador Fernando Holiday que é declarado gay e também inimigo das pautas e comunidade LGBTI+. O parlamentar usa constantemente discursos LGBTfóbico e discriminatório para votar contra projetos que favorecem as minorias.

No Brasil existe o #votelgbt, um coletivo que desde 2014 busca aumentar a representatividade de travestis, transexuais, lésbicas, bissexuais e gays na política institucional brasileira. O principal objetivo é dar visibilidade a candidaturas pró-LGBTs e incentivar as pessoas, a incluírem pautas de respeito à diversidade na escolha de seus candidatos. Saiba mais sobre #votelgbt em: https://www.votelgbt.org/

LC 173 – MAIS UMA PAULADA NO FUNCIONALISMO

LC 173 – MAIS UMA PAULADA NO FUNCIONALISMO 8

A Lei Complementar nº 173/2020 trás em seu bojo uma série de restrições em relação à gestão pessoal do funcionalismo público em geral, ficando ao critério dos estados e municípios a sua aplicabilidade. Mas, os entes federativos que sentirem necessidade de ajuda financeira do governo federal neste momento de pandemia, deverão obrigatoriamente se submeter a esta legislação.

A lei veda a nomeação de aprovados em concursos, a concessão de vantagens como adicionais, progressão e ascensão, horas-extras, gratificações, implicando no congelamento das nossas carreiras. Também proíbe o reajuste salarial, exceto em ação judicial, o que praticamente impede as negociações com os governos. Além desses, a lei trás outras séries de restrições.

Em quase todos os momentos que o nosso país passou por crises, o funcionalismo público é requerido a dar “sua taxa de contribuição”. Diuturnamente somos criticados por recebermos salários “acima da média” em relação à iniciativa privada. Ora, se temos uma sociedade ainda com rendimentos modestos e com grande desigualdade econômica, não se pode querer nivelar por baixo os rendimentos dos trabalhadores. Ao contrário, aqueles que recebem abaixo do necessário para um bom padrão de vida devem ter seus rendimentos melhorados, acompanhando os do serviço público e não o contrário.

A CNTE estará entrando nos próximos dias com outra ADI no STF, contra essas medidas. Segundo o nosso advogado, Dr. Ronaldo Franco, essa medida é cabível. Assim, ficamos no aguardo da decisão do STF, que esperamos ser favorável ao nosso pedido.

Petrônio Alves Corrêa Filho – Departamento de Imprensa e Divulgação

Coletivo (R)EXISTÊNCIA celebra mês do Orgulho LGBTQIA+ com sarau online

Coletivo (R)EXISTÊNCIA celebra mês do Orgulho LGBTQIA+ com sarau online 9

Coletivo R EXISTÊNCIA

O Coletivo R EXISTÊNCIA vem celebrar o mês do Orgulho LGBTQIA+ em grande estilo. Em tempos de distanciamento social causado pela Covid-19, optamos por não deixar essa data tão importante nas lutas silenciada, e assim apresentamos a primeira versão do Sarau do Orgulho in Live. Um evento totalmente interativo com diversas apresentações de música, dança, poemas e performances.

Será neste sábado, 27 de junho, a partir das 19h (MS), em nossa página no Facebook @coletivoR Existência. Vista seu melhor look e venha celebrar conosco essa data tão importante. Não se esqueça de postar sua foto assistindo a live, utilizando nossas hashtags #liveRExistência3l #sarauinlive #coletivorexistencia3l, para sabermos que você está celebrando conosco.

Confira as atrações deste sábado (27):

Coletivo (R)EXISTÊNCIA celebra mês do Orgulho LGBTQIA+ com sarau online 10

Por que a gente ainda não tem amiga trans/travesti? – por Rafael Borges

Por que a gente ainda não tem amiga trans/travesti? - por Rafael Borges 11

Dias atrás em uma roda de amigos entre cervejas e risadas surgiu o assunto da transexualidade; refletindo, percebemos que essas pessoas não fazem parte de nossa vida cotidiana. Quando eu falo cotidiana, me refiro a participar efetivamente em: almoços, festas de aniversário, rolezinhos de bares e afins.

Nós não convivemos com pessoas trans. E isso é uma entre as muitas das estratégias que o Estado, a mídia e tudo aquilo que pauta e organiza nossa socialização, criou para que a gente não convivesse com pessoas trans./travesti; isolando-as, mostrando que o lugar delas são os piores: HIV, promiscuidade, drogas, problemas psicológicos, pessoas violentas (vide a história da navalha – “não chegue perto delas, travesti andam com navalha”), prostituição.

Renata Carvalho, uma atriz transpóloga*, disse recentemente em uma entrevista que existe a transfobia estrutural e ela ressalta que quando falamos de estruturas significa que fomos ensinados, que crescemos aprendendo: a não gostar, a rir, a masculinizar, a não ter por perto e principalmente, ter medo.

 Quando falamos em travesti, é nisso que pensamos: pessoas da noite, que ficam na esquina, “rodando bolsinha”, debaixo de um poste de luz amarela piscando e ela rezando para não queimar porque pra ela comer, ela precisa ser vista. A exclusão faz parte da construção da identidade travesti desde o dia que esse corpo se torna visível para a sociedade.

Mas eles também não dizem que as pessoas trans./travesti além de todo o espancamento moral, são as que mais morrem no Brasil. Todos os dias. Elas são isoladas pelo Estado, que recentemente começaram um movimento de criação de políticas públicas, por exemplo, como se pessoas trans./travesti começassem a “surgir” agora, depois que “a novela mostrou” que elas existem.

Não bastasse o Estado e a sociedade, elas também são isoladas por nós LGBTs, que não fazemos esse tipo de pergunta, que vivemos num mundo binário (ou é homem ou é mulher). Ou então que identificamos travesti como homem afeminado. E não é isso. Também não somos educados a pensar assim, a questionar assim.

Essas questões me vieram à tona quando pude conhecer uma travesti, no final do ano passado, que veio para mudar e quebrar todos os paradigmas que eu carregava sobre ter/ ser amigo de pessoas trans./travestis. Esta hoje se tornou uma grande amiga, tão amiga que costumo chamá-la de filha, carinhosamente. E com isso começou a fazer parte da minha vida efetivamente.

Apesar disso, ela passou por vários momentos de transfobia dentro da minha casa: um lugar que eu acreditava ser o mais seguro para receber todos meus amigos LGBTs. Desde piadas sobre seu corpo até dúvidas sobre a sua travestilidade. E esses acontecimentos trouxeram essas reflexões acerca destes corpos tão marginalizados e oprimidos pelo sistema heternormativo patriarcal.

Tenho certeza que o que me fez pensar nisso foi a militância. E mais do que “ah, você é daquela galera dos direitos humanos, do politicamente correto, ‘descansa militante’” e tantas outras frases que querem nos reduzir e silenciar. Compreendo que o papel da militância é o de intervir diretamente a favor de qualquer discriminação, sobretudo se uma destas pessoas forem aquelas que compõem as letras da diversidade. Porque quanto mais nós mudamos de classe social e econômica, começamos a circular em espaços elitizados – como a universidade, por exemplo – menos a gente convive com essas pessoas.

A transfobia está dentro de nós. É um papel nosso inverter isso. Se essas violências sistemáticas acontecem por décadas e, ainda assim, em pleno 2020, não conseguimos ver como “normalidade” as amizades entre pessoas cisgêneras e pessoas trans/travestis, é plausível afirmar que isso ainda é uma problemática estrutural e que cabe a nós enquanto sociedade repensar essas relações de afeto e amizade.

* Transpóloga: terminologia usada por Travestis e Transexuais que estudam seus corpos e os corpos trans na sociedade. Equipare-se a palavra antropóloga.